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sexta-feira, 18 de março de 2011

MÍDIA, o grande aliado pró-inclusão

          Relembra-se aqui a fase da integração, no final da década de 50 e início dos anos 60, onde a pessoa portadora de deficiência é que tinha que se adequar aos padrões da sociedade. Tempo em que a mídia só veiculava textos como eram solicitados pelas instituições. Ao contrário, quando era a mídia quem procurava a instituição para fazer alguma matéria no assunto deficiência, reabilitação, ou educação especial, nem sempre aparecia um bom resultado. 
Tudo o que era utilizado como, os termos, as fotos, os textos, passavam ao leitor a imagem de tristeza, de tragédia, de dó, de inutilidade, de pessoa abandonada por Deus, o coitadinho... E, infelizmente, as instituições não educavam os profissionais das mídias sobre o assunto deficiência, nem tentavam melhorar as matérias divulgadas.
A partir de 1979, no Brasil, as pessoas portadoras de deficiência começaram a publicar cartas nos grandes jornais, dizendo sentirem-se prejudicadas em sua condição de portadores de deficiência. Já nesta época, este tema atraia profissionais de televisão, apesar de não usarem a terminologia adequada. Diziam: “quadriplégico”, “inválido”, “surdo-mudo”, “mongolóide”, “retardado mental”, etc.
As intervenções feitas junto à mídia, vindas de movimentos de direitos destas pessoas, foram muitas; mas de maneira agressiva, como se a mídia tivesse obrigação de conhecer tudo sobre deficiências. Felizmente, isto melhorou e a mídia deixou de ser tratada como inimiga da causa das pessoas deficientes e passou a ser vista como um possível parceiro desta causa. “Essa nova visão levou os defensores da causa à conclusão de que eles deveriam abordar a mídia de maneira educativa, informativa, cooperativa, construtiva” (Sassaki, 1999, p. 155). 
A ONU, sempre se preocupou com a questão da pessoa deficiente, sendo assim, publicou um documento destinado aos profissionais da mídia, em seis línguas oficiais, causando um grande impacto internacional.
A mídia pode ajudar a eliminar atitudes negativas, assim como pode formar imagens positivas da pessoa portadora de deficiência. Houve um reconhecimento pelo mundo todo do papel que a mídia poderia desempenhar no processo de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, passando este assunto a ser discutido em seminários, congressos, etc. Foram realizados eventos exclusivos sobre o binômio “mídia & deficiência” em muitos países, inclusive o Brasil. 
Hoje, considera-se a mídia como um grande aliado pró-inclusão e alguns jornalistas brasileiros foram pioneiros neste campo, como: Claudia Werneck, Emílio Figueira, Ana Maria Morales Crespo e Rosangela Berman Bieler. Eles editaram vários livros e palestras neste assunto.
O autor sugere no texto que, visando a construção de uma sociedade para todos, a mídia e o segmento portador de deficiência poderiam desenvolver atividades numa aliança pró-inclusão. Elaborando-se um esquema de trabalho, o campo da deficiência daria uma assessoria técnica aos profissionais de mídia na produção de documentários sobre pessoas deficientes, para veiculação na televisão; trabalhariam na produção de imagens positivas para uso da mídia; elaborariam a terminologia adequada; fariam convites à mídia para participar de eventos, de treinamentos, de estágios, de pesquisas, etc. E ainda, dariam assessoria à mídia para orientar trabalhos de graduação em comunicação e jornalismo.
Os profissionais da mídia iriam produzir documentários e matérias científicas sobre pessoas com deficiência e um estudo de manuais para construir imagens positivas. Participariam dos eventos organizados pelo setor deficiência, assim como participação efetiva em treinamentos neste campo, participação em estágios na área da deficiência, divulgação de exemplos de inclusão, estudo de matérias analisadas pelo segmento de deficiência, orientação de alunos de comunicação e jornalismo em trabalhos acadêmicos. A mídia faria também uma análise da pesquisa sobre a influência da mídia nas atitudes da sociedade quanto à pessoa deficiente. E esta aliança pró-inclusão faria um levantamento bibliográfico e videográfico, com formação de acervo sobre o tema “mídia e deficiência”. 
Romeu Kazumi Sassaki apenas antecipou os acontecimentos. Hoje é possível dizer que já existe uma verdadeira mobilização em todo o mundo envolvendo a mídia como um grande aliado da inclusão. Como prova disso temos vários jornalistas que se dedicam a este assunto, várias organizações, escolas, a mídia em geral, os projetos arquitetônicos, que precisam estar em todo lugar, enfim, já existe grande apoio neste sentido. Sem contar os órgãos públicos, organizações governamentais, que estão aprovando decretos, leis, portarias, resoluções, instruções normativas, etc, que visam a garantia de direitos às pessoas com deficiência. Mas, não é de se estranhar que ainda haja alguma resistência.
A sociedade inclusiva vai além de garantir apenas espaços para todos. Ela deve fortalecer as atitudes de aceitação das diferenças individuais e de valorização da diversidade humana. 
Desta maneira, o conceito de sociedade inclusiva, com apoio da mídia, vem sendo implantado em várias partes do mundo, como conseqüência natural do processo de implementação dos princípios de inclusão na educação, no mercado de trabalho, no lazer, recreação, esporte, turismo, cultura, religião, artes e família.
É fundamental equipararmos as oportunidades para que todas as pessoas, inclusive portadores de necessidades especiais possam ter acesso a todos os serviços, bens, ambientes construídos e naturais, em busca da realização de seus sonhos e objetivos.



BIBLIOGRAFIA:

SASSAKI, Romeu Kazumi. Mídia, o grande aliado pró-inclusão. In: SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: Construindo uma Sociedade para Todos, 3ª ed. Rio de Janeiro: Editora WVA, 1999, cap. 8, p. 153-158.


Fonte: Artigos.com
Autora: Sonia das Graças Oliveira Silva 

segunda-feira, 14 de março de 2011

PROPOSTA DE REABILITAÇÃO ATRAVÉS DA ESTIMULAÇÃO NEUROSSENSORIAL



Quando nos foi dado o desafio de atender pacientes com deficiência grave, tanto mental quanto motor, ficamos estudando formas para atendê-los integralmente, o programa que montamos procura englobar as 3 áreas principais de atendimento integral às pessoas com deficiência que são educação, assistência social e saúde. O trabalho já existia, mas não incluía o atendimento global, de vários profissionais na mesma terapia e o enfoque de sala de atendimento única (sala de aula) e não a retirada do usuário da sala, para atendimentos individual de determinada especialidade.

Para isso vimos à necessidade do atendimento multidisciplinar ser mais efetivo e globalizado com a junção de várias especialidades (no mínimo duas), para a partir de uma avaliação global e individualizada, traçar objetivos com metas únicas para todos os profissionais envolvidos no programa trabalharem com as estratégias em comum, sempre explorando potencialmente todas as áreas de estimulação sensorial.

A equipe é composta de professoras, auxiliar de enfermagem, auxiliar social, enfermeira, fisioterapeuta, fonoaudióloga, psicóloga, terapeuta ocupacional, assistente social, musicoterapeuta e professor de expressão corporal.

Todas as terapias, com exceção da fisioterapia respiratória e procedimentos de enfermagem são realizados em grupo com princípios de metodologias adaptadas e estudadas com o objetivo de atingir todas as áreas sensoriais, iniciando com a sensação e percepção, para que as áreas estimuladas (olfato,gustação, visão, audição, propriocepção, vestibular, motora) sejam efetivamente exploradas de forma repetitiva, com bombardeio de estimulação de todas as formas acima descritas.

Metodologias:

- Plasticidade neural: estimular modificações tanto de processos quanto de estrutura cerebral para melhorar função. Quanto mais se estimula (repetição), mais canais são abertos e mais conexões são feitas. Áreas latentes do cérebro passam a fazer a funções das áreas lesadas.

- Terapia sensório-motora: desenvolver no indivíduo capacidade de sentir e perceber, aprender e organizar sensações recebidas do ambiente e esboçar gradativamente respostas, no decorrer da estimulação através da plasticidade neural.

- Integração sensorial: é o processo pelo qual o cérebro organiza as informações de modo a dar uma resposta adaptativa adequada organizando assim as sensações do próprio corpo e do ambiente de forma a ser possível o uso eficiente do corpo no ambiente.



- DOMAN: técnica de estimulação de pessoas com o cérebro lesado, visando rotina diária e bombardeio cognitivo com atividades motoras, respiratórias, olfativas, gustativas, auditivas e visuais, pela repetição de atividades previamente elaboradas.



Rotina de Trabalho:

Atendimento consta de um turno no qual é estruturado com rotina de enfermagem, cuidados, alimentação e as terapias de estimulação.

Essa rotina é planejada de acordo com os objetivos que se pretendem alcançar com cada indivíduo, avaliado por fichas específicas de cada áreas e seguida de um estudo de caso para estabelecer meta única que serão traçados os objetivos a serem alcançados com cada um.

Se faz necessário um planejamento sistematizado de atividades baseadas nas metodologias descritas acima, bem como recursos estimuladores destinados a incentivar e facilitar o desenvolvimento da clientela assistida.

O oferecimento dos recursos (físicos, tecnológicos, materiais e humanos) deve ser apropriado as suas necessidades e as técnicas devem proporcionar interações ativas do indivíduo. Para facilitar sua participação nas atividades é necessário: adaptações; posicionamento adequado; motivação (aspecto lúdico da intervenção); materiais adequados.





Referências Bibliográficas:



DOMAN, Glenn. O que fazer pela criança de cérebro lesado. Ed Auriverde, 1989.

MELLO, Bárbara Cristina; NUNES, Maria Carolina Vitta; MELO, Luciana Vieira . Integração sensorial. Faculdade de Terapia Ocupacional de São Camilo.

VOLPI, Sandra Cristina Pizzocaro; Desenvolvimento motor normal e disfunções neuromotoras na infância. (apostila curso).

NUNES, Clarisse. Aprendizagem activa na criança com multideficiência – guia para educadores. Ministério da Educação – Departamento de educação básica, 2001.

MAGALHÃES, Lívia C. (apostila) Introdução a terapia de integração Sensorial/ Teoria da relação entre processos neurológicos e comportamento

ESPESCHIT, Rita. Crianças fora de sincronia – Revista presença pedagógica – julho/ Agosto 2000)

OLIVEIRA, Maria Cristina de; SIMÃO, Roberta K. Integração sensorial, In: Algumas abordagens da terapia ocupacional.

LAMBERTUCI, Maria Cristina Franco, MAGALHÃES, Lívia de Castro. Terapia Ocupacional nos transtornos invasivos do desenvolvimento, In: CAMARGO, Walter Junior, Transtornos invasivos do desenvolvimento - 2002 – primeira edição, ministério da justiça.

MONTEIRO, Bibiana Caldeira. Integração Sensorial – Apostila , 2005.

SOARES,Dulce Consuelo, O cérebro X Aprendizagem, disponível em www. psicopedagogia.com.br.

Laboratório de atividades e desenvolvimento infantil, disponível em www.eeffto.ufmg.br



Professora da UCD, com formação em psicologia

Coordenadora do Centro de Reabilitação física, com formação em fisioterapia

Fonoaudióloga e coordenadora da UCD


fonte: Artigos.com
Autora: Ana Paula Alves dos Santos


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domingo, 13 de março de 2011

A Síndrome de Dowm e a luta contra o preconceito através da atividade física!


A atividade física para portadores de necessidades especiais, neste artigo relacionado a pessoas com síndrome de Down, é muito importante no processo de inclusão social, pois auxilia na socialização, na melhora o equilíbrio emocional e também ajuda prevenir doenças congênitas que por acaso venham a atingir estes indivíduos. 
A promoção da prática pedagógica adaptada as diferenças individuais dentro das escolas do ensino regular deve ser constante, mas para que isso ocorra, são necessários métodos, procedimentos pedagógicos, materiais e equipamentos adaptados. O professor especializado deve valorizar as reações afetivas de seus alunos e estar atento o seu comportamento global, para solicitar recursos mais sofisticados como a revisão medica ou psicológica. 
E outro fato de extrema importância na educação especial é o fato de que o professor deve considerar o aluno como uma pessoa inteligente, que tem vontades e afetividades e estas devem ser respeitadas, pois o aluno não é apenas um ser que aprende. 
Um dos desafios para o momento é justamente a interação entre os vários profissionais que lidam com essa deficiência, pois o problema apresenta facetas que permeiam diferentes esferas do comportamento e níveis de análise do movimento humano.
Estudos mostram que pessoas com deficiências, notadamente os portadores da síndrome de Down, alguns tendem a se tornar sedentários, levando-os a desenvolverem problemas como obesidade, diabetes, colesterol e triglicérides altos, hipertensão e doenças cardíacas. 

O estudo lembra que os portadores desta síndrome têm tendência natural a uma compulsão alimentar, o que pode levar a uma alta do peso corporal, assim como uma pré-disposição à doenças do coração. Por isso, especialistas afirmam ser fundamental que os portadores da síndrome sejam estimulados desde criança à prática regular de alguma atividade física. 

Os exercícios mais indicados para quem tem esta necessidade especial são a caminhada, a corrida, a natação, andar de bicicleta, a dança e outras atividades que a própria pessoa considere como algo saudável para o bem estar fisco e principalmente cognitivo.. São atividades que podem ser feitas sem grandes dificuldades por estas pessoas e vão ajudar a uma melhora da condição corpórea, prevenindo doenças provocadas por uma vida sedentária e ajudando a melhorar a auto-estima e o equilíbrio emocional dos portadores da síndrome de Down.
A realização de atividades motoras deste aluno, além de exercer papel preponderantemente no seu desenvolvimento somático e funcional, estimula e desenvolve as suas funções psíquicas. 
O maior desafio para os profissionais da Educação Física é facilitar o envolvimento de todas as pessoas, incluindo quem tem a Síndrome.
Não há sombra de dúvida de que os indivíduos com Down respondem positivamente aos programas de atividade motora. Esses benefícios envolvem desde a sua aptidão física e saúde, até a própria qualidade da execução motora. 
A atividade física, seja no âmbito escolar ou fora dele, deve ser considerado como um nível de grande importância para o desenvolvimento físico e mental dos deficientes e da conseqüente necessidade de exercícios, porém a princípio, fica necessário que o professor responsável destas aulas tenha conhecimento das atividades para que os alunos se interessem na prática de uma atividade física e esportiva, afinal, são seres humanos, e requer o mesmo respeito e consideração como todas as outras pessoas!


Autor: Alexandre Vieira
Fonte: Artigos.com


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sábado, 12 de março de 2011

O que é Ser Diferente na Sociedade Contemporânea e o que é Gerir uma Escola Tendo como Foco a Diversidade


    O Brasil é seguramente um dos países que mais instituiu leis que atendem ao clamor da população excluída. Refiro-me às pessoas com necessidades educacionais especiais. Exemplos disso são: a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, que dedica particular atenção à Educação Especial, e o Plano Nacional de Educação – PNE (Lei Federal no 10.172/2001) – que estabelece 27 objetivos e metas para a educação de pessoas com necessidades educacionais especiais. No entanto, essa legislação, talvez por ser, de certo modo, recente, e por isso mesmo pouco conhecida, ainda não está bem disseminada. Segundo a Lei, a inclusão, mormente escolar, é para todos que se encontram excluídos do sistema educacional, independentemente de idade, gênero, etnia, condição econômica, social, física ou mental. 
Todo o cabedal legal existente já representa um avanço extraordinário e uma conquista estupenda. Contudo, não podemos dizer com isso que já tenhamos conseguido resolver o problema da exclusão. De fato ainda estamos muito distantes da erradicação do problema — embora já tendo dado passos significativos. Tal esforço para a inclusão educacional de pessoas com necessidades educacionais especiais é louvável. Contudo, para que a inclusão de fato aconteça, tem-se que ir além da instituição de leis. A questão é mais conceitual que legislativa. Portanto, é mister rever alguns conceitos. Como considera Cláudia Werneck (Você é gente? Rio de Janeiro, WVA Editora, 2003, p.1) “praticar a inclusão é elaborar uma nova ética, inspirada na certeza de que a humanidade encontra infinitas formas de se manifestar”. Não se trata de simplesmente criar leis com o fito de mudar a realidade. É claro que as leis ajudam, mas não se bastam por si sós.
Nossa sociedade ainda conserva (pré)conceitos historicamente cristalizadas sobre quase tudo: negro, índio, pobre, deficiente físico, deficiente mental, nordestino, homossexual, empregada doméstica, gordo, idoso etc. A coisa toda tem a ver com a maneira como as pessoas aprenderam a ver o outro. A questão é: sob que prisma a sociedade aprendeu a enxergar o outro?
     Toda a educação nacional foi elaborada e desenvolvida para manter a mente engessada. O individuo foi domesticado e doutrinado. Ele não aprendeu a pensar. Apenas apreendeu pensamentos. Assim, certo é o que alguém determinou que é certo. Do mesmo modo, errado é o que alguém determinou que é errado. 
Essa mesma lógica vem para as relações humanas e valoração do potencial humano. O feio (aquele que não atende aos padrões de beleza ditados pela sociedade) é falto de inteligência, é inabilitado, é incompetente, é indigno. O mesmo prisma é usado para olhar o deficiente físico, o deficiente mental, o negro, o índio, o nortista, o nordestino, o pobre, a prostituta, o homossexual etc. Esse elenco não se encaixa nos padrões de normalidade e perfeição (física, mental, econômica, social e intelectual) criados e impostos pela sociedade. Logo, se não se encaixa, não serve. Se não serve, tem que ser deixado de lado — à margem.
Essa rejeição é manifestada de várias formas, porém uma das mais claras é quando as portas se fecham para a escolarização e para a carreira profissional. É quando o indivíduo é privado do seu direito. Desse modo, não basta só está na Lei, é preciso um esforço educacional a fim de se reeducar a sociedade almejando-se uma mudança de concepção. Pois, se mudarmos o modo de pensar (e de ver), mudamos o modo de agir (e reagir). 
Não se pode esperar que todos sejamos iguais par sermos aceitos. No mundo em que vivemos nem os gêmeos são iguais. Somos indivíduos, portanto, seres individuais, únicos, com características próprias no que tange a maneira de ser, de pensar, sentir, agir e reagir a tudo e a todos. Nesse sentido não há certo nem errado. Há apenas o diferente. 
São conceitos, formas de pensar e de ver o mundo que precisam mudar. O ser humano é criativo e capaz. Uma deficiência, embora real, não significa absoluta incapacidade, mas, apenas e tão somente uma determinada limitação. A cor da pele, a condição sócio-econômica, a origem de uma pessoa, uma deficiência física, nada disso é determinante para se rotular o sujeito como inapto, incompetente, indigno. Alguém pode não ser capaz de usar as pernas, mas pode usar os braços, as mãos, a voz etc. Outro pode não ser capaz de usar a voz, mas pode usar as mãos, os braços, as pernas etc.
É mais fácil discriminar, segregar, marginalizar e excluir, que compreender, aceitar e incluir. O gordo é discriminado por ser gordo, o negro por ser negro, o pobre por ser pobre, o surdo por ser surdo e assim por diante. Logo, ser diferente em nossa sociedade é ser defeituoso, é ser excluso, é não ter direito a ter direitos. Mas, como diz Cláudia Werneck (Você é gente? Rio de Janeiro, WVA Editora, 2003, p.19), “todas as pessoas são gente, portanto, têm o direito de participar ativamente da sociedade contribuindo com o seu melhor talento para o bem comum, qualquer que seja ele”.
Na minha família tivemos que aprender a duras penas a enfrentar o preconceito e a discriminação. Minha mãe, tendo o braço direito ressecado desde a infância, teve de aprender a fazer tudo com o braço esquerdo. Não poucas vezes foi chamada de “aleijada”, “defeituosa”, “inapta para o trabalho”. Mesmo assim, tornou-se habilidosa e, cozinhando, lavando e passando roupa proveu sua casa e criou os quatro filhos (minhas três irmãs e eu). 
Não bastasse nada disso, minha irmã caçula, ainda muito cedo, sofreu paralisia infantil, vindo a perder a habilidade de andar e de utilizar o braço direito e a voz. Foram anos de luta, discriminação, barreiras e inúmeras dificuldades. Mas, minha mãe continuou lutando e insistindo para que a menina fosse aceita na escola, pois, apesar de tudo, era uma menina lúcida e de mente ágil. Ela estudou, cresceu, voltou a andar, a falar, e a usar o braço direito. Foi tão competente que, dos quatro filhos que minha mãe teve, a caçula foi a primeira a ingressar na faculdade. Formou-se e foi a primeira mulher mecânica de avião no Estado do Amazonas. 
Quando consideramos que deficiência é toda e qualquer perda ou anormalidade de uma estrutura ou mesmo de uma função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano, então, somos todos deficientes. Porque em alguma coisa somos deficientes, limitados. Como podemos ver, vivemos um paradoxo. Pois, somos todos diferentes e, ao mesmo tempo, tão iguais. 
Lembro-me quando em 1992, em uma escola na capital paulista, fui apresentado pela diretora a uma turma de alunos de nível médio, como o novo professor de Filosofia. Ao saberem que eu era natural do Estado do Amazonas, a turma toda se levantou e um aluno exclamou: — “Nós não aceitamos esse professor. Pois, o que é que um amazonense tem para nos ensinar?” Para eles o fato de eu ter um sotaque diferente, uma estrutura física diferente e ser originário de uma região (norte) diferente da deles (sudeste), já significava que eu era inapto, indigno, réprobo ou incapaz de exercer o magistério, pelo menos naquele contexto. Pois bem, não só assumi a cadeira de Filosofia àquele ano, como dois anos depois assumi a direção daquela escola (com o apoio de todos os alunos e professores, inclusive daquela turma que me discriminara escancaradamente) em cuja função permaneci por quatro anos.
Assim é a sociedade contemporânea. Só têm valor os “normais”. Normal, do ponto de vista dessa sociedade, é todo aquele que se encaixa nos padrões estabelecidos por ela. O diferente é anormal. Pois representa “produto de terceira classe”, fora dos padrões, portanto, indesejável, defeituoso, desprezível, sem valor. Por conseguinte, tem que ficar à margem.
Se quisermos realmente incluir o indivíduo, necessariamente teremos de nos desvencilhar dessa forma de pensar excludente e marginalizante. Tais raciocínios, quando muito, só conseguem integrar, onde a simples presença física do sujeito no ambiente já basta. Porém, o que devemos de fato buscar é a inclusão. Nela há que se permitir, além da mudança de atitudes, uma mudança de mentalidade frente às diferenças e diversidades de ordem física, étnica, cultural, econômica e social. É preciso que o indivíduo se sinta parte do todo e não um agregado a ele.
Diante de todo o exposto, como gerir uma escola tendo como foco a diversidade? Considerando que não é fácil lidar com pessoas, muito menos fácil é gerir uma escola onde a diversidade é inevitável. Isto exige um preparo cada vez maior do gestor. Nesse desafio, Bray Stainback (Pátio, Ano VIII, n.32, Nov 2004-Jan 2005, 2004, p.23), sugere que os administradores educacionais devem exercer o papel de “facilitadores do desenvolvimento e da implementação” da política de inclusão, a fim de que a diversidade seja aceita como conquista e não como obstáculo.
Por outro lado, o gestor não pode achar que ele é o único responsável pela criação da política que irá nortear a ação da inclusão educacional. Ele é sem dúvida o grande articulador, gerente, facilitador, incentivador etc. Mas, o poder de criar tais políticas está com todos — gestor, professores, alunos, pais e comunitários. Ou seja, é o conjunto, a escola como um todo, que têm força e poder para mudar o que os anos cristalizaram.
Considerando a responsabilidade social que a própria função confere ao gestor, é imperativo que este participe ativa e decisivamente da ação inclusiva. Como gestor ele precisa ser audaz, impetuoso, aguerrido. Precisa também estar aberto para as mudanças. Munir-se de cabedal intelectual que lhe dê fortes argumentos a fim de conscientizar a comunidade — professores, funcionários, alunos e pais — e derrubar alguns mitos que interferem no processo de inclusão, como a inverdade de que o deficiente vai atrapalhar a aprendizagem dos outros alunos. É preciso mostrar convincentemente que a presença do deficiente, em verdade, irá ajudar os alunos tidos como normais a “vivenciar uma nova experiência como ser humano solidário e respeitador das diferenças”, como acredita Rossana Ramos (Passos para a inclusão: algumas orientações para o trabalho em classes regulares com crianças com necessidades especiais. São Paulo: Ed. Cortez, p.13).
Em suma, ser diferente na sociedade contemporânea é ser incapaz, inapto, alguém sem condição nenhuma de estar entre os “normais”. É urgente a necessidade de se implementar nos currículos escolares (da educação básica à superior) componentes que levem o educando a (re)construir sua mentalidade social onde ele seja capaz de ver o mundo constituído por grandes e reais diferenças mormente humanas, e que essas diferenças não significam má qualidade ou valor inferior, mas riqueza de valores, completude. O Universo é imenso e nessa imensidão são as diferenças que permitem que ele seja o que é — universo.
Gerir uma escola tendo como foco a diversidade é mais que um desafio, é um teste de aptidão. Só os aptos para mudanças sobrevivem, como dizia Charles Darwin. Sobreviver profissionalmente implica em ser capaz de mudar. Mudar conceitos, posturas, valores, ações. O mundo muda a todo instante. Tudo na natureza se ajusta a fim de que a vida possa continuar o seu curso. O gestor escolar precisa ajustar-se às mudanças e ver que as pessoas, que constituem a própria razão de ser da escola, são diferentes física, mental, intelectual, étnica, econômica e/ou socialmente. São elas mesmas que dão sentido à existência da escola, e esta ao papel do gestor. Cumpre-lhe esforçar-se para que os seus pares compreendam e empreendam esforços a fim de que a inclusão sócio-educacional de fato aconteça.

Autor: Rubem Menezes
Fonte: Artigos.com

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Educação brasileira: existe qualidade no ensino?



Para questionarmos e debatermos sobre a qualidade da educação no Brasil e no mundo, surge-nos uma pergunta:
Qual seria a saída para a solução dos problemas direcionados à má qualidade da educação no Brasil e Mundo, interagindo com os investimentos governamentais e a formação de professores em todos os sistemas de ensino?
Podemos destacar que a taxa de reprovação no Brasil, por mais que a educação escolar continuada vigore, ainda é alta, os baixos desempenhos em avaliações dos brasileiros, o próprio analfabetismo e a evasão escolar fazem parte infelizmente da cara da educação brasileira.
Muitas vezes relatamos que alguns professores sentem-se despreparados e desmotivados diante das exigências dos jovens, particularmente no que ultrapassa os conteúdos específicos de suas disciplinas e ao que se refere à socialização, ao comportamento e à vida dos estudantes além da escola, relacionada à evasão escolar, devido ao desinteresse do aluno pelo conhecimento, conforme UNESCO.
"A América Latina e o Caribe são responsáveis por 3,5% das crianças do mundo inteiro que estão fora da escola. O Brasil é o único país com mais de 500 mil crianças fora da escola", aponta o estudo da UNESCO. 
Todavia, o relatório afirma que esse problema não impedirá o Brasil de cumprir as metas até 2015. E é o que esperamos.
Apesar de ter posto a maior parte das crianças na escola, o País ainda peca pela falta de qualidade na Educação e por ter dificuldades de alfabetizar adultos. Entre 121 países, o Brasil aparece em 71º lugar.

Para finalizarmos esta, podemos crer que uma alternativa para tal questão abordada seria acreditarmos que a melhoria dos investimentos, claro que com ética e moralidade, isto é, sem corrupção, poderia realizar um percentual maior de universidades públicas, de pesquisas com caráter eficaz e dinâmico, do incentivo aos professores no meio acadêmico e com dedicação integral nas IES públicas e privadas, assim como verificar a estrutura salarial, a qual deve ser digna de um educador, afinal, através de um educador, formaremos alunos e seres humanos que farão a diferença no mundo.


Autor: Alexandre Vieira
Fonte: Artigos.com


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sexta-feira, 11 de março de 2011

As diferenças: a inclusão social e o constragimento ilegal


     Nossa sociedade ainda não aprendeu a conviver com as diferenças. Ainda não aprendeu a respeitar o direito do próximo. Ainda não aprendeu a ser solidário. Nossa sociedade é elitista, egoísta e individualista, com raríssimas exceções. 

     Trataremos neste espaço sobre a inclusão social de pessoas diferentes no grupo social, vamos abordar a forma desrespeitosa com que são tratadas as diferenças neste país.

     E o direito, neste contexto, vem para regular esta situação de desequilíbrio na relação social. Lançando mão, também, da atuação policial para obrigar a sociedade a aceitar e acima de tudo respeitar todo o cidadão, indiferentemente de sua raça, cor, religião, etnia ou procedência nacional, orientação sexual, identidade de gênero, seja ele homem, mulher, portador de necessidades especiais ou não. 

Assim, o artigo 5º da Constituição Federal positiva, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 

Também positiva que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Que todos têm direito de ir e vir, livre acesso a locais públicos. 

Porém na prática isso não ocorre em sua plenitude, para exemplificar podemos dizer que os cadeirantes, em especial, têm esse direito fundamental cerceado, visto que não tem acesso adaptado em muitos locais, apesar da existência da lei 7853 desde 1989 que estabelece normas gerais assecuratórias do pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência.

Outro exemplo é a discriminação contra homossexuais que também configura crime e por conseqüência desrespeito a legislação e aos direitos humanos.

Cabe aos órgãos do poder púbico o dever de assegurar esses direitos, mas na prática estes órgãos são os primeiros a liberarem obras sem as adaptações adequadas para essa inclusão social. 

A legislação brasileira é clara ao dizer que a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais.

A partir daí temos inúmeras legislações infraconstitucionais que amparam a ação policial em casos de crime de discriminação.

Segundo o Mestre Marcos Bernardes de Mello, em sua obra, Teoria do Fato Jurídico, é imperiosa e irremovível a necessidade que tem a comunidade de manter sob controle o comportamento de seus integrantes, contendo-lhes as irracionalidades e traçando-lhes normas obrigatórias de conduta, com o sentido de estabelecer uma certa ordem capaz de obter a coexistência pacífica no meio social. 

Neste sentido, temos ao nosso lado o artigo 146 do Código Penal, que trata do Constrangimento Ilegal. Este título legal pode e deve ser utilizado pelo agente de segurança pública para prender em flagrante qualquer indivíduo que por sua ação ou omissão expor uma pessoa a situação constrangedora de forma contrária a lei.

Se o agente agressor for um funcionário público poderá ser aplicado o artigo 350 do mesmo Código que trata do abuso de autoridade.

O policial também pode lançar mão de outras normas que tratam das diversas formas de discriminação.

Para finalizarmos esse curto espaço, gostaríamos que a sociedade buscasse adaptar-se para, de acordo com os princípios acima expostos, conseguirmos fazer nosso convívio mais justo e harmonioso.

Deixando de lado o preconceito e atos discriminatórios, atingindo assim, um estado em que todos sejam reconhecidos verdadeiramente como cidadãos.

Essa foi a nossa contribuição de hoje, até a próxima.


Autor: Geverson Aparicio Ferrari
Fonte: artigos.com


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terça-feira, 8 de março de 2011

A INCLUSÃO DE DEFICIENTES MENTAIS:Um árduo desafio para escolas, educadores e famílias

          
          Um árduo desafio para as escolas, educadores e famílias refere-se a um minucioso estudo e análise de fundamentos de autores renomados que abordam a educação especial com o objetivo de dispor aos educadores e a todos aqueles que atuam e que pretendem atuar na Educação, uma proposta de reflexão/ação numa análise mais abrangente da inclusão dos deficientes mentais e outros com necessidades educacionais especiais. Este estudo pretende ser o ponto de partida para a tomada de consciência dos educadores, educandos e famílias, quanto sua importância na acolhida destas pessoas’diferentes' e na preparação para efetiva participação no âmbito social e global. Chegando a conclusão de que para o indivíduo tornar-se um ser atuante e crítico, faz-se necessário a tomada de consciência e a mudança do ato de educar. Não podemos ficar de fora desse processo de inclusão, devemos participar, devemos nos arriscar e sugestionar uma constante troca de afetividade e sensibilidade entre governantes e governados, entre educadores e educandos, entre pais e filhos, para que de fato ocorra a inclusão e uma educação mais humana e igualitária.


1 INTRODUÇÃO

Presenciamos nas últimas décadas, que as escolas e seus educadores têm se deparado com uma nova e desafiadora questão: a de incluir as pessoas com necessidades educacionais especiais nas salas de aulas da rede regular de ensino.

O estudo de diversas obras revela que, historicamente, até o século XVI, não existia a preocupação da sociedade em oferecer atendimento às pessoas consideradas “diferentes” dos ditos “normais”. 

Se adentrarmos a fundo na história anterior ao século XVI, certamente ficaremos horrorizados com a tamanha injustiça feita com as pessoas que nasciam com algum tipo de deficiência ou diferença. Tais pessoas eram estupidamente queimadas em fogueiras em praça pública ou jogadas à própria sorte, pois se acreditava que eram uma obra maligna.

A partir de então, conforme foram ocorrendo as mudanças na organização das sociedades, começaram a ter mais zelo para com as pessoas com deficiência. E, foi durante o século XX, que as instituições sociais estenderam o atendimento especializado a este grupo de excluídos, os deficientes.

Percebemos que as famílias dos considerados “diferentes” bem como eles próprios consideram a escola uma barreira quase que intransponível, pois se deparam com uma carga muito grande de dificuldades de aprendizagem e de preconceitos por parte dos próprios ditos “normais” e por parte até mesmo do corpo docente das escolas. Porém, conhecendo um pouco as características e causas desta lamentável bagagem genética e/ou ambiental, quem sabe, ficará mais fácil de encarar e auxiliar nessa dura realidade vivida por pessoas que carregam essa herança. 


2 AS QUATRO SÍNDROMES DA DEFICIENCIA MENTAL E SUAS CARACTERÍSTICAS

Segundo Moura (1980, p.133) cito aqui, as quatro síndromes associadas ao retardamento mental, causada por aberrações cromossômicas: - Síndrome de Lejeune é caracterizado pelo indivíduo apresentar orelhas com implantação baixa, pela distância entre os olhos aumentada, pelo choro que lembra o miado de um gato, pela malformação dos dedos e retardo mental grave; - Trissomia 8, neste caso, o indivíduo apresenta as orelhas malformadas, o crânio alongado, a mandíbula reduzida, a testa saliente, estrabismo, o lábio inferior é mais grosso e evertido. Nesse caso, o retardo mental é severo; - Síndrome de Dawn (mongolismo) com características como rosto arredondado, fendas palpebrais oblíquas, os membros são mais curtos, as mãos mais largas, a boca permanece quase sempre entreaberta e o retardo mental vai de moderado a severo; - Síndrome de Klinefelter, afeta somente as pessoas de sexo masculino, a estatura é mais elevada, o indivíduo pode apresentar pouca barba ou não apresentar, os órgãos genitais são pouco desenvolvidos, apresenta ginecomastia ,ou seja, ocorre a presença de mamas desenvolvidas, a maioria apresentam inteligência limítrofe e cerca de 15% deles podem apresentar retardo mental grave.





3 O ÁRDUO DESAFIO: A INCLUSÃO DE EDUCANDOS COM DEFICIENCIA MENTAL NAS ESCOLAS REGULARES

Conforme declara a Lei 9394/96 , inclusão é uma proposta que condiz com a igualdade de direitos e oportunidades educacionais para todos em ambientes favoráveis já ‘garantidos’ por ela. Mas, nem sempre esse direito é de fato uma garantia aos cidadãos.

Possivelmente você já tenha ouvido pessoas ao seu redor usando os termos, “retardado”, “idiota”, “imbecil”, “debilóide”, como um meio grotesco de ofensa a outras pessoas que possuem menor grau de entendimento em determinado assunto. Mas, os estudos revelam que estes termos são originários do século XVIII e perpetuam até a presente data, porém, não fugindo de serem termos atribuídos a um grupo de pessoas que requer mais cuidado e estudo. 

Conforme Jannuzzi (1985) ao longo do tempo, várias palavras foram usadas em lugar de retardamento. A substituição de uma palavra por outra apenas suaviza temporariamente sua pejoratividade. A nova palavra, em pouco, acabava incorporando os preconceitos da sociedade de cada época.

Minuciosos estudos em obras científicas nos revelam que, as causas do retardo mental são genéticas e estão representadas por genes patogênicos ou também chamadas na ciência como aberrações cromossômicas . Sabemos também que as causa ambientais são muitas e atuam no período pré-natal , perinatal ou ainda pós-natal . Porém, nos casos mais leves, fica difícil de identificar as causas.

O potencial de inteligência da espécie humana é um traço genético que a coloca em posição destacada na escala zoológica. Entretanto a expressão desse potencial, ou seja, a inteligência e o seu desenvolvimento, são o resultado da ação de fatores não apenas de natureza biológica, mas também de natureza psicológica e sócio-cultural. (MOURA,1980,p.117)

Como fatores determinantes no desenvolvimento afetivo e social das crianças com DM , bem como para os demais que necessitam de cuidados educacionais especiais, vê-se na família e na escola os dois principais norteadores deste desenvolvimento.

Segundo Vygotsky (1991a , p.74) “o aprendizado é uma das principais fontes da criança em idade escolar; e é também uma poderosa força que direciona o seu desenvolvimento, determinando o destino de todo o seu desenvolvimento mental.”

Entende-se que a família deve exercer o importante papel de educar a criança. É através da família e do comportamento dos seus membros em relação à criança e em relação aos próprios membros, que a criança com deficiências interioriza a alegria, a satisfação e o amor, ou então o contrário. 

À escola cabe o papel de estar sempre em sintonia com a família para então melhorar e contribuir da melhor forma possível com o desenvolvimento da criança. 

Acredita-se que o objetivo principal da escola, deva ser o da busca por tornar a criança mais autônoma perante o indivíduo adulto. No entanto, entende-se que essa autonomia só irá ocorrer através do bom relacionamento com outras pessoas.

A integração da escola e da família deve ser mais constante nas atividades de socialização das crianças. E, os pais devem estar envolvidos numa procura por bem educar seus filhos. 

Segundo Moura (1980,p.137), é tarefa do professor o comum atendimento às crianças portadoras de retardo mental leve, e, tal trabalho precisa ser marcado pela compreensão, pela dedicação e pela paciência. Não deverá o professor se igualar às pessoas comuns que infelizmente ainda possuem muitos preconceitos em relação aos retardados mentais.

Cabe ao professor, aceitar tais crianças e demonstrar carinho a elas, ensiná-las primeiramente as coisas mais fáceis e uma parte de cada vez. O professor conseguirá resultados mais positivos de seu trabalho, se associar cada parte as coisas agradáveis para a criança. Ele deverá elogia-las após cada item aprendido para que ela se sinta mais capaz e segura. É ainda tarefa deste professor, manter a paciência e a uniformidade de comportamento e, ao avaliar a criança deverá evitar fazer comparações com as demais, além de que, não poderá exigir um rendimento que a criança não poderá oferecer. Sendo assim, ficará mais suave o trabalho e o compromisso do educador e a escola estará cumprindo com sua autêntica tarefa: a de educar a todos como nos garante a LDB e a Constituição Federal. 

5 CONCLUSÃO

Ainda que com os grandes avanços das entidades governamentais educacionais no sentido de promover a inclusão, é notório e infeliz o fato de que ainda estamos muito longe de conquistarmos uma escola verdadeiramente de qualidade e para todos.

Este é um processo que exige uma constante troca de afetividade e sensibilidade de todos para que haja um trabalho com vistas à construção de uma sociedade mais digna, justa, igualitária e que respeite as diferenças.

Presenciamos diariamente que os desafios do processo de inclusão estão passando por muitas reformulações nas escolas, desde as adaptações arquitetônicas, adaptações curriculares, capacitação de professores e mudanças didático-pedagógica-metodológicas que possam vir otimizar o processo de ensino-aprendizagem dessas crianças na rede regular de ensino.

A escola tem um papel preponderante na denúncia de toda e qualquer forma de exclusão e, principalmente da exclusão de pessoas que necessitam de cuidados educacionais especiais. Ela deve promover a formação de pessoas críticas e cidadãos que estejam aptos a apontar mudanças e/ou alternativas para as relações sociais. Contudo, a clareza quanto aos fundamentos filosóficos, teóricos e jurídicos em prol da educação especial são atribuições do educador e das escolas deste milênio. 

A inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais exige atualmente uma ressignificação das ações pedagógicas em todo o contexto escolar, além do compromisso político da educação. Para tanto, entro em acordo com Werneck (1997, p. 157), quando diz que:

Participar da construção de uma sociedade inclusiva é como fazer longos passeios por novas idéias e sentimentos. Refletir sobre a inclusão acorda nossos monstros mais íntimos. Com alguns deles nunca havíamos nos deparados antes. Não adianta querer reduzir as dimensões do que será caminhar pela trilha de uma sociedade inclusiva. Temos que nos arriscar.



6 REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ( Lei 9394/96), Ministério da Educação, 1996.
MOURA,E. Biologia Educacional. São Paulo: Moderna,1980.
OLIVEIRA, M. Além do lugar – Comum Emoções e trabalho. Dezembro. 2001. 
VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1991a.
WERNECK, C. Ninguém Mais Vai Ser Bonzinho na Sociedade Inclusiva. 1997. 314p.


Autora: Gladenice T. da Silva
Fonte: atigos.com

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